O que a palma e o milho têm em comum?
Ao contrário do que muitos pensam, uma palmeira não é uma árvore no sentido botânico da palavra. Trata-se de uma monocotiledónea com aparência de árvore — botanicamente muito mais próxima de gramíneas como o milho ou o junco do que de um carvalho ou de um pinheiro. Uma palmeira não possui anéis de crescimento que revelem a sua idade, nem casca no sentido em que normalmente a entendemos. O seu tronco é formado por um denso feixe de fibras deixadas pelas folhas antigas. As palmeiras também não aumentam de diâmetro ao longo da vida: atingem a largura máxima muito cedo e, a partir daí, apenas crescem em altura.
Em essência, uma palmeira é a erva daninha mais ambiciosa do planeta — uma planta que decidiu alcançar o céu.
Bambu — floresta ou pastagem?
O bambu é frequentemente confundido com uma árvore devido à sua resistência e altura — algumas espécies chegam a atingir 30 a 40 metros. No entanto, trata-se de uma gramínea perene, pertencente à família das gramíneas. É a planta que cresce mais rapidamente na Terra: algumas espécies podem crescer um metro em um único dia. Ao contrário das árvores, o bambu tem um caule oco e não desenvolve madeira. Sua resistência vem do alto teor de sílica nas fibras. Surpreendentemente, seu piso de bambu ou tábua de corte é, tecnicamente, feito da mesma família de plantas que seu gramado ou o trigo.
Banana —agente duplo
A bananeira é, essencialmente, uma planta herbácea gigante que produz cachos de bagas. O que chamamos de “tronco” da bananeira é, na verdade, um conjunto compacto de bases foliares. O fruto da bananeira é uma verdadeira baga do ponto de vista botânico (ao contrário do morango), pois possui casca, polpa carnuda e sementes, embora, nas variedades cultivadas, essas sementes sejam minúsculas. Do ponto de vista científico, a bananeira é, portanto, uma grande planta herbácea que produz cachos pesados de verdadeiras bagas.
Morango— impostor
Por falar em morangos, você ainda acha que eles são bagas? Os botânicos discordam. Uma verdadeira baga possui sementes no interior (como o tomate ou a banana). O morango, na verdade, não é uma baga, mas um agregado de pequenos frutos. O que comemos como fruta é um receptáculo floral desenvolvido. As pequenas “sementes” na superfície são, na verdade, os verdadeiros frutos — minúsculos aquênios secos. Ironicamente, bananas, melancias e até abóboras são, do ponto de vista botânico, bagas, enquanto morangos e framboesas são frutos agregados complexos que se disfarçam perfeitamente de bagas de sobremesa.
Abacaxi — “fruto” comunitário
O abacaxi não cresce numa palmeira. Ele é uma bromélia herbácea que frutifica próxima ao solo. O mais impressionante na sua anatomia é que ele não é um fruto único, mas um fruto múltiplo. O abacaxi forma-se a partir de várias flores individuais, cada uma produzindo uma pequena baga suculenta. Durante o crescimento, essas bagas fundem-se em torno de um eixo central comum, formando uma única estrutura compacta. Em outras palavras, um abacaxi é um agrupamento compacto de centenas de pequenas bagas que se uniram — e ainda desenvolveram uma armadura espinhosa como defesa.
Figo — flores viradas do avesso
O figo talvez seja a estrutura mais estranha desta lista. Ele não é um fruto simples nem uma baga, mas sim um sicônio — uma inflorescência invertida. Todas as suas flores vivem dentro de uma estrutura carnuda fechada e nunca veem a luz do sol. Para polinizá-las, pequenas vespas precisam entrar por uma minúscula abertura. Dentro do figo, desenrola-se um verdadeiro drama natural: as vespas polinizam as flores, depositam os ovos e muitas vezes morrem ali dentro, enquanto a planta decompõe parte desses restos por meio de enzimas. Quando você come um figo, está, na verdade, consumindo centenas de pequenas flores seladas dentro de uma doce câmara natural.
Legumes — conspiradores culinários
O termo “legume” não existe na botânica; trata-se basicamente de uma classificação culinária usada para designar as partes não doces das plantas. No entanto, isso gera confusão: pepinos, abobrinhas, berinjelas, abóboras e tomates são frutos — mais precisamente, bagas. Biologicamente, um fruto desenvolve-se a partir de uma flor e contém sementes. A cenoura é uma raiz, o repolho é formado por brotos e folhas, e a batata é um caule subterrâneo (um tubérculo). Quase tudo o que colocamos numa salada é, na verdade, uma variedade de frutos que acabou sendo catalogada na seção de “legumes” por convenção.
Fungos — alienígenas entre nós
Os fungos são mais parecidos com plantas ou com animais? Para a maioria das pessoas, parece óbvio considerá-los plantas. A surpresa é que, geneticamente, os fungos estão muito mais próximos dos animais do que das plantas verdes. Eles não possuem clorofila e não conseguem obter energia da luz solar; precisam absorver matéria orgânica já disponível no ambiente. As paredes celulares dos fungos são compostas por quitina — o mesmo material que forma as carapaças dos crustáceos e os exoesqueletos dos insetos. O cogumelo que você colhe é apenas uma pequena parte do organismo. O corpo principal — o micélio — pode estender-se por quilômetros no subsolo. Aparentemente, eles realmente “correm” — apenas não da forma como imaginamos.
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